quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Hora de repensar
Quando eu comecei a ouvir blues, em meados 1990, gaita blues no Brasil era o Flávio Guimarães e ponto.
A gente tinha pouco acesso ao material lá fora, a gente se juntava como dava prá trocar informação, formava grupos bacanas de gaitistas, a gente fazia vaquinha prá encomendar aquela cópia de disco que ninguém tinha.
2009, 20 anos depois, isso acabou. O Brasil tem uma legião de gaitistas, ninguém mais consegue viver de CD, as pessoas conseguem tudo o que elas quiserem na web, a maior parte de graça, as pessoas não precisam mais se juntar para trocar informações. Elas podem fazer isso sozinhas. Vc pode ter aulas por skype. Vc pode trocar mensagens de email direto com seus gaitistas favoritos.
Nós temos acesso a tudo agora.
Então eu acho que tem 3 caminhos prá gaita blues.
[1] Vc pode pegar uma diatônica e fazer tudo o que todos fazem
[2] Vc pode pegar uma cromática e fazer tudo o que todos fazem
[3] Vc pode pegar uma diatônica ou uma cromática e fazer algo totalmente novo
Se vc optar por [1] ou [2], vc vai ter que ser melhor que todos os que estão aí e que todos os clássicos que já existiram. OK, vc pode ser bom, mas vai ter que ser MUITO bom prá se destacar da multidão, pq tem muito gaitista bom por aí. E os internacionais vão começar a baixar aqui tb.
A gente já viu que os bons músicos de blues acabam indo pros EUA gravar com os blueseiros de lá prá alçar vôos mais altos. Nuno Mindelis se deu muito bem com isso. Igor Prado também. Mas quantos guitarristas de blues vão conseguir alçar esses vôos? Gaitista de blues é a mesma história.
A gente tb já viu bons gaitistas tocando por aí. Alguns timidamente saem do Brasil e tentam se destacar, mas o fato é, pro gringo, É SÓ MAIS UM GAITISTA DE BLUES. Claro que vai ouvir elogios, pq são bons, mas o repertório é o mesmo. A roupa é a mesma. O discurso no encarte do CD é o mesmo.
Enquanto isso, eu tenho a nítida impressão que o público do blues fica cada dia mais restrito. OK, sempre vai ter platéia pro blues, mas também sempre vai ser o mesmo tamanho de platéia: pequena.
Não tou falando que o blues vai acabar. Tou falando que é a mesma quantidade de gente gostando de blues e um monte de gaitistas aumentando nesse mesmo público. O resultado, eu acredito que os gaitistas de blues tradicional já estão sentindo na pele.
E olha, vai piorar. Cada dia que passa são mais e mais gaitistas ótimos surgindo, vindo de outros países, querendo tocar para esse mesmo público que não cresce (aliás, justamente pq não cresce, eles vêm aqui). E quando o público perceber que tem um monte de gaitista no myspace tocando horrores, a percepção de quem toca horrores vai ficar ainda mais difusa. À medida em que o público conhece bons gaitistas, o nível de exigência sobe. Eu não quero mais aquele gaitista X tocando aqui. Eu quero o Jason Ricci. O Del Junco.
Desculpa o tom pessimista, mas são 20 anos vendo isso.
Eu sei que existe um público de blues garantido e fiel que é purista. Não acho inclusive sejam maioria, mas acho que muito gaitista dá trela demais para eles. Para eles, o gaitista que sair um fio de cabelo do padrão vai ter que ouvir críticas. Eu sugiro que os gaitistas não dêem ouvidos para eles.
O que eu sugiro é que os gaitistas comecem a repensar e rápido o que eles querem. E se é ir pro blues mesmo e se é ficar só nele. Pq eu vejo o Ferrari mexendo com pedais e consigo ver o futuro no que ele faz, mas ao mesmo tempo penso que alguns gaitistas que eu idolatrava 20 anos atrás podem estar insistindo num caminho que pode não lhes trazer frutos. Frutos que eles merecem que sejam bons.
O Carlini trouxe o Funk. O Engels trouxe o Rock. O Ferrari trouxe o trance. Jefferson trouxe o Forró.
Son of Dave está lá, fazendo o som dele. Pode não ser o mais virtuoso, mas tem uma linha original e que rola de ouvir. Hazmat Modine também está fazendo seu som mezzo tom waits, mezzo karnak. Outra linha original que rola de ouvir.
Os gaitistas não concorrem com outros gaitistas. Eles concorrem com todo mundo que faz música boa de ouvir, seja que instrumento for.
Ampliem seus horizontes. O gaitista do futuro pode até ser um bom blueseiro, mas eu acho que talvez ele devesse cogitar outras praias. Não depender do público blueseiro. Buscar outros públicos. Públicos que talvez nem dêem tanta importância pro fato de vc estar tocando gaita ou acordeon ou berimbau.
Just in case ;-)
A gente tinha pouco acesso ao material lá fora, a gente se juntava como dava prá trocar informação, formava grupos bacanas de gaitistas, a gente fazia vaquinha prá encomendar aquela cópia de disco que ninguém tinha.
2009, 20 anos depois, isso acabou. O Brasil tem uma legião de gaitistas, ninguém mais consegue viver de CD, as pessoas conseguem tudo o que elas quiserem na web, a maior parte de graça, as pessoas não precisam mais se juntar para trocar informações. Elas podem fazer isso sozinhas. Vc pode ter aulas por skype. Vc pode trocar mensagens de email direto com seus gaitistas favoritos.
Nós temos acesso a tudo agora.
Então eu acho que tem 3 caminhos prá gaita blues.
[1] Vc pode pegar uma diatônica e fazer tudo o que todos fazem
[2] Vc pode pegar uma cromática e fazer tudo o que todos fazem
[3] Vc pode pegar uma diatônica ou uma cromática e fazer algo totalmente novo
Se vc optar por [1] ou [2], vc vai ter que ser melhor que todos os que estão aí e que todos os clássicos que já existiram. OK, vc pode ser bom, mas vai ter que ser MUITO bom prá se destacar da multidão, pq tem muito gaitista bom por aí. E os internacionais vão começar a baixar aqui tb.
A gente já viu que os bons músicos de blues acabam indo pros EUA gravar com os blueseiros de lá prá alçar vôos mais altos. Nuno Mindelis se deu muito bem com isso. Igor Prado também. Mas quantos guitarristas de blues vão conseguir alçar esses vôos? Gaitista de blues é a mesma história.
A gente tb já viu bons gaitistas tocando por aí. Alguns timidamente saem do Brasil e tentam se destacar, mas o fato é, pro gringo, É SÓ MAIS UM GAITISTA DE BLUES. Claro que vai ouvir elogios, pq são bons, mas o repertório é o mesmo. A roupa é a mesma. O discurso no encarte do CD é o mesmo.
Enquanto isso, eu tenho a nítida impressão que o público do blues fica cada dia mais restrito. OK, sempre vai ter platéia pro blues, mas também sempre vai ser o mesmo tamanho de platéia: pequena.
Não tou falando que o blues vai acabar. Tou falando que é a mesma quantidade de gente gostando de blues e um monte de gaitistas aumentando nesse mesmo público. O resultado, eu acredito que os gaitistas de blues tradicional já estão sentindo na pele.
E olha, vai piorar. Cada dia que passa são mais e mais gaitistas ótimos surgindo, vindo de outros países, querendo tocar para esse mesmo público que não cresce (aliás, justamente pq não cresce, eles vêm aqui). E quando o público perceber que tem um monte de gaitista no myspace tocando horrores, a percepção de quem toca horrores vai ficar ainda mais difusa. À medida em que o público conhece bons gaitistas, o nível de exigência sobe. Eu não quero mais aquele gaitista X tocando aqui. Eu quero o Jason Ricci. O Del Junco.
Desculpa o tom pessimista, mas são 20 anos vendo isso.
Eu sei que existe um público de blues garantido e fiel que é purista. Não acho inclusive sejam maioria, mas acho que muito gaitista dá trela demais para eles. Para eles, o gaitista que sair um fio de cabelo do padrão vai ter que ouvir críticas. Eu sugiro que os gaitistas não dêem ouvidos para eles.
O que eu sugiro é que os gaitistas comecem a repensar e rápido o que eles querem. E se é ir pro blues mesmo e se é ficar só nele. Pq eu vejo o Ferrari mexendo com pedais e consigo ver o futuro no que ele faz, mas ao mesmo tempo penso que alguns gaitistas que eu idolatrava 20 anos atrás podem estar insistindo num caminho que pode não lhes trazer frutos. Frutos que eles merecem que sejam bons.
O Carlini trouxe o Funk. O Engels trouxe o Rock. O Ferrari trouxe o trance. Jefferson trouxe o Forró.
Son of Dave está lá, fazendo o som dele. Pode não ser o mais virtuoso, mas tem uma linha original e que rola de ouvir. Hazmat Modine também está fazendo seu som mezzo tom waits, mezzo karnak. Outra linha original que rola de ouvir.
Os gaitistas não concorrem com outros gaitistas. Eles concorrem com todo mundo que faz música boa de ouvir, seja que instrumento for.
Ampliem seus horizontes. O gaitista do futuro pode até ser um bom blueseiro, mas eu acho que talvez ele devesse cogitar outras praias. Não depender do público blueseiro. Buscar outros públicos. Públicos que talvez nem dêem tanta importância pro fato de vc estar tocando gaita ou acordeon ou berimbau.
Just in case ;-)
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
enfim uma celebridade que vale a pena
"mockumentary" do Jason Ricci, um dos melhores gaitistas da atualidade. Detalhe: o cara é doidaço ;-)
mas eu achei divertido. O perfil do gaitista geração Y...
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
bene em curitiba
O duo Benê Jr. e Marcelo Ricciardi é o destaque da agenda de novembro do Largo Curitiba. Os músicos têm formações diferentes, porém identificados com a riqueza instrumental brasileira. Benê Jr. (harmônica) e Marcelo Ricciardi (violão) são componentes da Troupe da Gaita, um grupo de música instrumental consagrado em Curitiba. Foi neste meio que construíram seus estilos e maneirismos próprios. Outro fator interessante é que os músicos Benê Jr. e Marcelo Ricciardi têm uma formação musical bastante enraizada no blues e no rock. São fundadores da banda Mister Jack. Esse tempero do blues pode ser claramente percebido quando eles começam tocar. O resultado é um conjunto de canções muito bem arranjadas - principalmente sambas e choros do período entre os anos 40 e 60. Tudo isso, acrescentado a um repertório diversificado, que inclui estilos musicais como o tango, bolero, jazz e blues demonstrando na prática o ecletismo presente na formação musical deles. As apresentações dos músicos acontecem do Largo Curitiba, nos sábados, a partir das 19h.
Serviço:
Menu Musical
www.shoppingcuritiba.com.br/largocuritiba
Sábado: 14, 21, 28 de Novembro - Destaque Musical: Benê Jr e Marcelo Ricciardi
Horário: a partir das 19h
Shopping Curitiba – Largo Curitiba - Piso L2
Informações: (41) 3026-1000
fonte: http://www.paranashop.com.br/colunas/colunas_n.php?id=22864&op=lazer
gaita heavy metal
cara, olha isso
o que esse cara faz na guitarra, o gaitista Engels Espiritus promete fazer no próximo show dele, lá em Brasília
12/11/2009
No próximo dia 19, quinta-feira, Engels Espíritus fará show interpretanto as músicas do fabuloso CD Book of Shadows, do cantor e guitarrista Zakk Wylde.
Conhecido por emular na gaita diversos instrumentos, neste show Engels tocará os solos de guitarra das músicas do CD, além de outra canções.
Queria deixar duas opiniões aqui.
A primeira é que eu não gosto muito desse tipo de som de guitarra sendo debulhada e tal. Não é que é ruim, é que eu não gosto mesmo.
A segunda que eu acho que, do ponto de vista de gaita, a iniciativa do Engels é um tanto revolucionária. Ele mesmo já é um gaitista bem fora do padrão (que costuma ser o blues) e eu acho isso legal prá caramba. E um monte de gente que curte gaita e/ou solos debulhantes de heavy metal provavelmente irão adorar esse show, pq eu sei que o Engels é muito bom nessa praia.
Eu adoro o bom e velho blues, mas fico feliz quando vejo as pessoas experimentando outros caminhos e outras possibilidades. É o que faz a coisa crescer, eu acho.
o que esse cara faz na guitarra, o gaitista Engels Espiritus promete fazer no próximo show dele, lá em Brasília
12/11/2009
No próximo dia 19, quinta-feira, Engels Espíritus fará show interpretanto as músicas do fabuloso CD Book of Shadows, do cantor e guitarrista Zakk Wylde.
Conhecido por emular na gaita diversos instrumentos, neste show Engels tocará os solos de guitarra das músicas do CD, além de outra canções.
Queria deixar duas opiniões aqui.
A primeira é que eu não gosto muito desse tipo de som de guitarra sendo debulhada e tal. Não é que é ruim, é que eu não gosto mesmo.
A segunda que eu acho que, do ponto de vista de gaita, a iniciativa do Engels é um tanto revolucionária. Ele mesmo já é um gaitista bem fora do padrão (que costuma ser o blues) e eu acho isso legal prá caramba. E um monte de gente que curte gaita e/ou solos debulhantes de heavy metal provavelmente irão adorar esse show, pq eu sei que o Engels é muito bom nessa praia.
Eu adoro o bom e velho blues, mas fico feliz quando vejo as pessoas experimentando outros caminhos e outras possibilidades. É o que faz a coisa crescer, eu acho.
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