sábado, 19 de novembro de 2005

as novas demandas dos gaitistas

ontem fui no show do hot spot com leandro ferrari no café com letras. infelizmente o batera não pôde ir pq o cara estava doente, mas foi um show bom assim mesmo. aproveitei prá levar a camisa do jackivelô pro leandro e para ver com os caras que dia rolava para eles tocarem no show de lançamento do cd do gaita-l 6, 2005, que deve ser dia 7, véspera de feriado em BH, no garage d´caza.

conversando rapidamente com o leandro, perguntei para ele como estava o nível dos alunos e o que a galera agora está querendo tocar. o interessante é que, segundo ele, a grande maioria dos alunos mais jovens não quer aprender a tocar blues na gaita, enquanto os mais velhos na maioria são blueseiros. Segundo ele, os mais novos sequer conhecem blues direito.

é engraçado pq é um pouco contra-intuitivo. normalmente as pessoas procuravam aprender diatõnica para aprender blues (o leandro é essencialmente um gaitista de diatõnica), mas o que acontece hoje é que parece que o blues perdeu espaço e o interesse por gaita continua, porém associado ao pop, ao rock e ao reggae.

na verdade, faz todo o sentido do mundo. o cenário de blues brasileiro murchou e hoje temos muita gente tocando, mas poucas bandas de projeção nacional. vamos assumir: o blues nunca esteve tão fora de moda no brasil. por outro lado, o cenário da gaita para todo o resto não está tão mal. No pop, estamos sempre ouvindo uma gaita sendo tocada em músicas do skank, do engenheiros, no charlie brown jr, do marcelo d2. Nem sempre bem tocada, mas ouvimos assim mesmo. E temos o gabriel grossi, tocando com a zélia duncan e dando novo fôlego à gaita cromática, que segue seu caminho natural dentro da mpb, do chorinho e do jazz. E isso leva pessoas interessadas para os professores de gaita. Fora isso, tem o John Popper, provavelmente o gaitista mais popular da atualidade, que com seu estilo rápido, tem conquistado fãs no pop, com muitas pitadas de folk e poucas de blues.

a década de 80 foi a profusão de gaitistas no brasil, e com isso buscou-se uma diversificação no mercado. os gaitistas começaram investindo no diferencial nacional incorporando elementos de samba e capoeira no blues, tentando exportar blues abrasileirado, já que não adianta competir com o blues original e autêntico americano fora do brasil. Depois foi tentar entrar em outros estilos e finalmente estamos tendo os frutos disso, nas pequenas gaitas do pop. Num momento em que o brasil está, de certa forma, "na moda", o que é autêntico do brasil ganha, e quem ganha mais com isso na minha opinição é a gaita super competente do gabriel grossi e o chorinho bem tocado do benevides.

o que falta? para mim, falta conquistar alguns novos espaços e surgirem gaitistas que sejam mais que grandes instrumentistas e que façam músicas realmente marcantes. John Popper é um grande gaitista, mas o Blues Traveller está além do gaitista e construiu algo que é inovador e duradouro. Falta surgirem no brasil as bandas onde a gaita faça sentido, dê identidade, tenha destaque, mas não seja a banda-desculpa-pro-gaitista-solar. E falta tb na música que identifica a geração dos 00´s, que na minha opinião, é a música eletrônica. Nisso, o Matchaka para mim era a melhor promessa, mas infelizmente acabou. Será que alguém vai pegar esse filão no Brasil?

bem, eu achava que o rock tinha morrido até ouvir placebo e assistir a ressurreição de conceitos instituídos pelos smiths. Talvez seja cedo para cantar a morte do blues. Música, moda, arte. Tudo parece andar em círculos. Só resta saber se não é uma espiral para baixo.

3 comentários:

  1. Tive uma boa experiancia em Trossingen ouvindo o Steve de Bruyn e o Rithim Junks... Um trabalho que funciona junto com a gaita e nao somente com ela... Uma performance realmente marcante, com o cara cantando, tocando gaita de toods os tipos com diversos efeitos de pedal... Uma formaçao enxuta, com batera, baixo acustico trompete e sax, uma sonoridade muito louca... Acredito tb nisso, nao da mais pra ter somente bandas com gaitistas solando e sim, a gaita funcionando como um instrumento que faz parte dos arranjos, execute as conveções, enfim que seja realmente instrumento...

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  2. passei Rithim Junks prá mari. vamos ver o que ela acha. eu sei que ela lê esse blog ;-)

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  3. RICARDO SKALINSKI18/06/2010 04:11

    comcordo plenamente com o autor e creio que a harmonica tem versatilidade de sobra para ter participação e musicas na sua totalidade e não apenas em solos vaxios no inicio ou no meio das musicas.

    Ricardo Skalinski

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